O que cai no ENAC: distribuição da prova e a regra dos 90 dias

2026-08-20

O ENAC não é um concurso, é uma barreira de entrada. Você não disputa serventia com ninguém: precisa apenas ultrapassar a nota de corte para poder se inscrever nos concursos estaduais de outorga. Isso muda a pergunta que guia o estudo. Não é 'como ficar em primeiro lugar', é 'onde estão os 60 acertos que me habilitam'. A resposta está na distribuição da prova, e ela é pública.

A prova em números

A base normativa do exame está na Resolução CNJ nº 81/2009, que hoje condiciona a inscrição preliminar nos concursos de provimento e remoção à aprovação no ENAC (Resolução CNJ 81/2009, art. 1º-A). O mesmo comprovante aparece como requisito de inscrição em Resolução CNJ 81/2009, art. 7º, inciso VI, que exige aprovação válida no dia do pedido de inscrição.

O que você precisa ter na cabeça antes de montar cronograma:

Um detalhe do texto normativo que quase ninguém lê e deveria: as questões são elaboradas 'de forma a privilegiar o raciocínio e a resolução de problemas'. Isso não é retórica. É a instrução que a banca recebeu.

A distribuição das 100 questões

A norma lista os ramos do conhecimento cobrados, e o edital os converte em números. A divisão é esta:

Leia de novo o primeiro item. Seis de cada dez questões vêm de um único eixo. Se você acertar 45 das 60 de notarial e registral, precisa de apenas 15 acertos nas outras 40 para ser aprovado na ampla concorrência.

As especialidades do eixo principal

O eixo de 60 questões percorre as atividades da atividade extrajudicial. A Lei 8.935/1994, art. 5º relaciona os titulares de serviços notariais e de registro em sete incisos:

Do lado registral, a Lei 6.015/1973, art. 1º confirma o desenho ao arrolar, entre os registros públicos sujeitos ao seu regime, o registro civil de pessoas naturais, o registro civil de pessoas jurídicas e o registro de títulos e documentos.

Duas normas fundamentais sustentam tudo isso e caem em prova de forma disfarçada, dentro de casos práticos: a Lei 8.935/1994, art. 1º, que define os serviços notariais e de registro como os destinados a garantir publicidade, autenticidade, segurança e eficácia dos atos jurídicos, e a Lei 8.935/1994, art. 3º, que trata notário e registrador como profissionais do direito dotados de fé pública, com atividade delegada. A raiz constitucional está no CF/1988, art. 236, cujo § 3º condiciona o ingresso a concurso público de provas e títulos.

A regra dos 90 dias

Regra de corte temporal do edital: normas com vigência inferior a 90 dias na data da prova não são cobradas. Ou seja, o provimento publicado no mês passado não vai aparecer na sua prova de amanhã.

Como usar isso a seu favor:

O que priorizar de fato

O plano que a distribuição sugere é direto:

1. Concentre 60% do seu tempo no eixo notarial e registral. É onde estão 60 questões e onde a matéria é técnica o bastante para recompensar repetição.

2. Trate Direito Civil como matéria de peso real. São 14 questões, e boa parte delas conversa com registro de imóveis e registro civil (obrigações, contratos, família, sucessões, direitos reais).

3. Constitucional com 9 questões merece revisão sistemática, especialmente organização do Estado, direitos fundamentais e o próprio art. 236.

4. Administrativo, Tributário e Empresarial somam 12 questões. Estude o essencial de cada um sem se aprofundar: atos administrativos, poderes, ITBI e ITCMD, sociedades e títulos de crédito.

5. Processo Civil, Penal, Processo Penal e Conhecimentos Gerais somam 5 questões. Não construa cronograma em cima disso. Leia o básico e siga.

Se você errar tudo de Penal, Processo Penal, Processo Civil e Conhecimentos Gerais, ainda sobram 95 questões e o corte continua em 60. O ENAC pune quem estuda por igual e premia quem estuda pela distribuição.

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